segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Desde que te vi
com os olhos da alma
Cada passo que eu dou
eu sinto sua falta
Ainda divides minha cama durante as noites
Mesmo que sem seu corpo ou sua frieza
Dormes comigo em meu pensamento
Nesse luto de amor vivo
que vivo e luto como contra 
um instante infinito
Por mais rude possas ser
entrevejo fantasiosa
num balançar de dedos
minhas maos enlaçadas às suas
E anseio a escuridao celeste
para materializar-te Dulcinéa
entre meus lençois de algodão agreste
Mais completa sou em delírio
Mais feliz quando iludida
Deixe-me ao menos
com meus concretos sentimentos
Me olhava com olhos redondos
de criança intrometida e medrosa
quando ria parece que cabia
no branco dos dentes o infinito
andava dançando e era seguido
por legioes de elementais perdidos
mas sobretudo ele sabia
antes de qualquer um no mundo
qual era o som do cometa
e reproduzia
A chuva lavou meu gemido
Instaurou-se o vazio
Nas ruas solitarias, abandonadas, 
largas e ainda úmidas
caminho
sorrio
Ternura!
Instalou-se o vazio
Ouço o meu silêncio
e ainda mais silencio
pausa, acalme-se, reflete
Ancorou-se ao vazio
há doçura, há sossego
há paz, solidez
Avivou-se o vazio
Desde entao o metrômetro
so marcou saudade
de tempos idos

terça-feira, 10 de junho de 2014

Aportam delirios em meu peito vago
quando teu cheiro inedito me toca na brisa
Meu sonho de ti é delicado
Feito as ingenuas mãos que te desenhei
das quais espero o tenro toque
Teu contorno é um desvario
me aquecendo os sonhos
pelo alento
És palavra sentida
Te quero assaz e descabido
Te quero dia, tarde, ano
Te quero novo
e de novo
Tardes, noites, planos
Suscitas vida e és tão doce
que ver-te apenas, mesmo de longe
enaltece a poesia

domingo, 8 de junho de 2014

Aceito o que me vem, de bom grado
Essa fome, essa falta
Essa cheiura que transborda
Esse amor, esse acalanto
Essa prenda que me cora
Aceito a pausa e a doçura
Dos olhos dele nos meus
A ausencia de tudo
De um outro
Dos passos que nao dei
Aceito os sonhos que ainda nao tive
E essa imensidao de abismos
que desde sempre colecionei
Se no meu sonho ele vem
Alado, nariz de palhaço
Pirata ladrao com flores na mao
Quem vai ter coragem de dizer
que meu sonho é vão?
30 ciclones Dionisio, derrubaram e construiram mundos em mim
És quimera, Dionísio, Dulcinéa 
És paixão, dolorosa, singela
És delirio meu, és cólera, és festa
És nada sem meu invento
És meu intento
És cosmo
Ilusão
na menina dos meus olhos tinha um desenho
que eu nunca entendi o que
ate te ter nos braços 
e ver que o desenho era voce
precipício maior
é a palavra custosa
entre meu o labio e o teu