domingo, 20 de abril de 2014

Calamidade

não devia ser permitido
vir de uma vez
isso de sentir, ou de chover
coração da gente
não aguenta enxurrada

quarta-feira, 17 de julho de 2013

estamos nos despedindo, a cada encontro eu perco algo
estou demasiado triste pra me importar, e perco além.
ouço um zumbido estranho e choro escondida
estou sem paz
onde estariam agora teus beijos?
quão longe dos meus portos fico?
teu sussurro onde soa?
meu vício do teu peito
não é saúde
não minto, enlouqueço
perdi a fé por alguns dias
a falta dela é irremediável
eu morri, como um peixe, mais uma vez
e ninguém sentiu o cheiro do cadáver
putrefato cotidiano
há dores e náuseas me parasitando
por mais que eu sorria
e lavo os labios com desinfetante

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnavalia

Carnaval me anoiteceu
com seus confetes pisados feito estrelas cadentes sem pedido
feito marcha triste, samba-canção
feito amor demais sem ilusão
Carnaval me anoiteceu num cotidiano simplista
operário nos sonhos alheios
noite alta
adormece folia!
Retorna vida na gente,
Habito demasiado os dias

sábado, 2 de fevereiro de 2013


Fiz das mãos conchas

Escorrestes por mim

Fiz da paixão água

Saudade...

mar que não tem fim

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Tocata

Ver-te com dedos
Palmas
Mãos
Verter-me então

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O véio e o menino


E ocê vai ver, seu moço novo,
que a coisa mais triste do mundo,
quando a gente vai ficando
com mais primaveras vividas,
é que a gente perde
essa coisa tão boa
de se encantar
e que,
quando a gente, se encanta
mesmo depois de tantos encantos
é como se a gente quisesse ter
uma fome de vida
que num tem mais !
É gula!
Paixão, depois de um tempo, é gula de vida !

segunda-feira, 19 de novembro de 2012


Dá-me teu querer assombrado

desarma os botes

Fiquemos calados

Descança teu olhar trêmulo

em meu desejo ávido

Deixemos que caiam as folhas

atrasadas do outono passado

O tempo é ainda menino

correndo ansioso dos passos

Eu ouço a teu lado o apito

Acima dos trilhos sejamos alados

Dá-me tuas mãos ingênuas

para voarmos sobre as cidades

Vejamos juntos no horizonte marítimo

cada signo da linguagem

Deixa-me estar entre

o bemol e o sustenido

Do teu receio acalentado.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Busca

Quem conterá a nascente
dos vazios que me brotam
escondidos, escorrendo
pelas pedras medrosas
dos meus descaminhos

Quem iluminaria
minhas noites sombrias
com feixes reluzentes
de esperanças mesmo que vãs

Quem faria soar as cordas
ventar as saias
tocar a pele com a brisa
desaguar

Quem traria a calmaria
para ceiar em minha mesa
e se instalar como em vigília
ouvindo ternos acordes

Em que findaria a demanda
destas horas inférteis
de afeto devoluto
dos meus tacanhos dias

Quem me crucificaria
posto que morro e ressucito
pela redenção dos meus demônios





domingo, 4 de novembro de 2012

Fantasia

E como o mar em tempestade me alegro
no instante seguinte
calo

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cantiga de Ninar


querido meu
sonho hoje que flutuaremos contentes
sobre o mar de saudades
até que elas findem sem dor.
depois nos amaremos em memória
e acordaremos repletos
por mantermo-nos de medos livre
por querermo-nos sem pudor