domingo, 9 de setembro de 2012

Luto


 
Nasce morto mais um amor
desabitando a terra de mais um sorriso
não acompanha nenhum cortejo
enquanto desce a ladeira a caixa lacrada
contendo os versos escritos
A despeito do luto,
a vida comum segue seu ritmo
Só a doce florista derrama uma lágrima seca
e no canto do olhar, de longe assiste
Depois se volta para as flores que expõe
enfeitando no largo, o chão de pedras antigas
           O que poderia ser
           se fosse o morto semente?
Do outro lado da montanha
ainda chora o céu da aurora
Aqui velamos os corpos ocos
para fugir da fome dos vivos

E nos fechamos em nossas calmas...
pelas frestas da alma nos despedimos

Nasce morto mais outro amor
morre muda a voz do meu grito


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